Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2005

A nossa estrela

029.gif Vieste até mim, em silêncio. Vieste e estiveste aqui comigo, dentro mim. Não dei por ti, até ser tarde demais. E valeu a pena cada segundo que te senti, mesmo que isso tenha significado a tua partida. A dor, o medo, a tristeza, nada disso se compara com a alegria de saber que te tive. Mas tu não pudeste ficar, e tiveste de me deixar aqui, sozinha e triste. Eu compreendo, és mais importante noutro lado. Estavas destinada a algo maior, a algo especial. Eu fui apenas o veículo para chegares onde estás agora. Eu compreendo, mas dói tanto... dói-me a alma, meu anjo. Sinto-me despedaçada por dentro, falta-me um pedaço de mim, faltas-me tu! Eu sei que não podias ficar. Eu sei que te sacrificaste por mim. Eu sei que estás num sítio melhor. Eu sei… eu sei… Agora, estás comigo em cada sorriso, em cada lágrima. Estás comigo para sempre, és parte de mim e eu sou parte de ti. Sou mãe de um anjo. Sou mãe de uma estrela. E isso é algo que só eu e tu podemos entender. Onde quer que estejas, anjo, quero que saibas que te amo e que nunca te esquecerei. É altura de partires para a tua estrela, agora. É altura de te deixar partir. Vai, meu bebé eterno. Vai e porta-te bem. A mãe e o pai estarão aqui sempre, nunca te esquecerão. Serás sempre a nossa primeira menina. Amo-te.
publicado por desejandoumanjo às 15:51
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Sábado, 19 de Fevereiro de 2005

Porquê?

Sozinha, como estou agora, penso no que poderia ter sido. Penso nas mudanças que teriam ocorrido no meu corpo. Penso no que seria sentir vida a crescer dentro de mim. Penso e penso e penso... Pergunto-me porquê? Porque aconteceu? Porque teve de ser assim? Porque doi tanto? Como posso sentir falta de alguém que nunca vi, que nunca senti? Como pode doer tanto a saudade de alguém que nunca toquei? Como posso amar tanto alguém assim? Quando vou ter respostas? Quando vou ter paz? Que vou responder na próxima vez que me perguntarem se tenho filhos? Como posso dizer que não? Como vão entender se disser que sim? Nunca abracei a minha filha (algo em mim, diz-me que era uma menina...), nunca a beijei, nunca a adormeci, nem lhe contei histórias ou cantei cantigas de embalar. Nunca a ouvi chorar, nem me deliciei com o som das suas gargalhadas. Tudo isso me foi negado, tudo isso me foi arrancado. Como explicar que sou mãe, sim? Mãe de um anjo... tão distante e tão perto de mim... Como vou responder, então, a uma pergunta tão simples? Como?
publicado por desejandoumanjo às 20:02
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Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2005

A luz ao fundo do túnel...

Ontem senti-me feliz! Fui á consulta, falei com a médica, esclareci as minhas principais dúvidas e dissipei alguns medos. Foi POSITIVO! Eu estou bem, as probabilidades de uma gravidez normal estão a meu favor. Acho que não preciso de dizer que me me sinto MUUUIIIIIITOOOOO alivíada. Aindo estou preocupada e com medo, mas já não é a mesma coisa... Agora sinto que posso continuar.

E aí está uma grande mudança de atitude! Ontem quando saí do gabinete da médica, eu ía a sorrir pelo corredor fora. As pessoas olhavam para mim com uma certa estranhesa, tipo "tadinha, enlouqueceu" ou "isto há gente para tudo". Porque será tão estranho ver alguém a sorrir sozinha?? Dei por mim a olhar para uma grávida que lá estava e a sorrir para ela. O sorriso foi retribuido e a sensação foi tão estranha... por momentos eu deixei de sentir a mágoa imensa de ter perdido o meu bébé e pude partilhar a alegria daquela mulher. Mais um passo para a minha recuperação psicológica? Espero bem que sim!

No entanto, ter consciência que estes momentos de felicidade e estabilidade são nesta altura forçosamente breves, é algo que ainda me custa. Porque não posso ser eu mesma de novo? Porque não consigo deixar de sentir a dor? E cada vez que me faço perguntas deste género, o meu coração dá-me logo a resposta: Porque nunca mais vou ser a mesma, o que aconteceu alterou radicalmente a minha vida e nada será o mesmo daqui para a frente. Porque a dor estará sempre presente, embora um dia vá deixar de se chamar dor e passe a ser lembrança, mas será eterna porque eu serei sempre a mãe do meu anjo e ele será sempre o meu filho.

Há uma luz ao fundo do túnel... consigo vê-la agora, ténue e distante, mas real o suficiente para me dar esperança e força.
publicado por desejandoumanjo às 12:26
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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005

Dia dos Namorados

Olá, voltei.

Após um fim de semana calmo, estou de volta para mais uma semana de trabalho.

Amanhã tenho a minha consulta de acompanhamento no hospital. Estou nervosa e ansiosa. Acho que tenho andado assim desde a semana passada. Anseio pelo que me vão dizer, mas tenho tanto medo ao mesmo tempo... Não sei se aguento mais alguma má notícia... Mas enfim, há que ganhar coragem e enfrentar a coisa, né?

Hoje é dia dos namorados, mas este ano é um dia triste... queria tanto estar a "saborear" este dia de outra maneira... mas isso foi um sonho arrasado há 2 meses atrás...

Não estou em condições para nada hoje... nada corre bem... estou nervosa, acho que se me ligarem uma lâmpada ela acende... nunca mais chega o amanhã para acabar com esta "tortura" da espera.

Espero estar aqui amanhã com um espírito mais animado. Era muito bom sinal, não era?

Até lá. Portem-se! Beijinhos!!
publicado por desejandoumanjo às 16:58
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2005

Porque hoje é Sexta-Feira!!

Acho que devo ser bastante aborrecida para os outros agora. Ás vezes parece que estou a enlouquecer ou que estou com a pancada da teoria da conspiração.

Sabem aquela sensação quando, por exemplo temos um carro novo e de repente começamos a ver carros iguais (ou da mesma marca) por tudo quanto é lado? Pois é, eu ando assim. De repente, parece-me que todas as mulheres do mundo ou estão grávidas ou já têm filhos, e (o que é pior) parece que decidem sempre sair á rua na mesma altura que eu! Vá lá, sejam sinceros... eu ESTOU a ficar paranóica, não estou???

E como se não bastassem as grávidas e respectivas crianças, por todo o lado sinto que o tema de conversa é A MATERNIDADE: ALEGRIAS E BENEFICIOS... Por amor de Deus! Alguém que me acorde deste pesadelo!!

Não me entendam mal, por favor. Eu não estou contra grávidas, continuo a amar crianças e anseio por poder participar no tema de conversa. Apenas sinto-me uma outsider, entendem? E magoa sê-lo e senti-lo... Porque o que me aconteceu não me define como mãe, mas também não me define como não o sendo... demasiado confuso? pois, acredito que sim... eu também estou confusa.

Uma coisa destas abala toda a estrutura das nossas vidas: psicológicamente e materialmente. Ficamos meio abananados, como se tivessemos levado um grandessissimo abanão divino... E eu dei por mim (antes de começar a escrever) a fazer-me grandes perguntas existenciais: que quero eu realmente? como pode isto melhorar-me como ser humano? entre outras, que não vale a pena enumerar aqui...

Acredito que tudo na vida nos acontece com um propósito. Pronto, admito que desejaria que o abanão tivesse sido outro... Mas aconteceu assim, certo? Talvez ainda não fosse o momento certo... talvez valha a pena esperar por algo melhor... talvez...

De qualquer maneira, não queria ir de fim de semana sem agradecer a todos os que me têm apoiado neste momento difícil. Têm sido fantásticos!!!! OBRIGADO por aturarem esta louca que anda tão triste e só ultimamente. OBRIGADO!!!
publicado por desejandoumanjo às 11:47
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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2005

Recomeçar...

Hoje faz 2 meses que o meu anjo partiu...2 meses em que nada foi fácil ou simples, 2 meses em que tenho lutado para manter a minha sanidade mental e a esperança.

Passado este tempo, o silêncio das pessoas que sabem o que aconteceu é ainda ensurdecedor. Ás vezes não sei o que é melhor, se ouvir os comentários habituais de quem não faz a mínima idéia do que isto é, se o silêncio constrangedor a que sou votada ultimamente.

Se falo sobre o assunto, dizem-me para esquecer, para seguir em frente, ou então olham-me com aquela expressão de quem está perdido e não sabe o que dizer, e mudam o assunto.

Talvez eu incomode as pessoas falando, mas se não falar eu rebento, enlouqueço, porque estou presa numa montanha russa emocional e não consigo encontrar a saída deste labirinto. Onde quer que eu vá, para onde quer que eu olhe, tudo me lembra a minha perda.

Mas de alguma maneira, está a tornar-se mais fácil viver...é cada vez mais simples conseguir sorrir ou até brincar. Acho que estou finalmente a perceber que tenho de ir devagar, e tenho de ter paciência e esperança. Algures eu tenho alguém muito especial á minha espera, alguém que eu amarei e farei feliz e que me preencherá e completará. A viagem da minha cura emocional não será curta nem fácil, mas tem um fim.

A todos os que me têm apoiado neste momentos dificeis, agradeço a paciência e o carinho. A todos, o meu sincero obrigado. Adoro-vos!
publicado por desejandoumanjo às 14:18
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Segunda-feira, 7 de Fevereiro de 2005

O mês seguinte...

E a 15 de Dezembro saí do hospital. Parecia que estava num outro mundo, porque tudo parecia novo para mim. Enquanto me dirigia para a saida do hospital, lembro-me de me sentir como se todas as pessoas me olhassem e soubessem o que me tinha acontecido. Foi tudo muito estranho... tudo o que eu queria era estar em casa, com a minha família, com tudo aquilo que era seguro e comfortável para mim. Não me vou esquecer do olhar dos meus pais quando me viram a sair, e só me apeteceu ser criança outra vez e esconder-me no seu colo. Estavam todos tão aliviados por eu estar bem. E eu estava bem, quer dizer, pelo menos estava fisicamente bem.


Agora, eu iria enfrentar um dos meus maiores medos: rever os meus sobrinhos... como custou vê-los... ainda hoje choro quando me lembro de como foi estar com eles depois de tudo... eu amo-os tanto! tanto! mas partiu-me o coração olhar para eles, os meus preciosos bébés, e lembrar-me que tinha perdido o meu próprio bébé... afinal, eu sou apenas a tia (e a madrinha do mais velho), e custou-me tanto sentir o vazio em mim. Acho que ainda custa.

E depois veio o Natal... passado com a familia do João... outro desafio, outra luta para controlar emoções, outra criança a enfrentar (o sobrinho do João)... por esta altura acho que eu entrei em "piloto automático"... as coisas aconteciam á minha volta e eu pura e simplesmente tinha "desligado". Uma maneira de me defender? Talvez. Eu só queria que tudo passasse, e rápido. E principalmente, queria ignorar tudo aquilo que me lembrasse da minha perda.

E assim passei um mês de baixa, enfiada em casa, protegida do mundo exterior. Posso até dizer que foi um mês tranquilo depois do ano novo. Parecia que eu iria ultrapassar esta fase sem sobressaltos e que iria regressar a mesma pessoa que era antes.

Eu estava enganada. E passado este mês eu percebi que nada estava bem, mesmo nada...
publicado por desejandoumanjo às 09:45
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2005

As primeiras palavras

moon-scorpio.jpgPassei quase 5 dias no hospital (entrei numa sexta á noite e saí na 4ª seguinte ás 14h). Durante esse tempo, tentei distrair-me o melhor que podia. Lá estava outra mulher que também teve o mesmo que eu, até fomos operadas na mesma noite. Acho que isso ajudou-nos ás duas um pouco, sabermos que não estávamos sozinhas na desgraça. No sábado comecei a ouvir os primeiros comentários familiares... confesso aqui que alguns me deixaram bastante magoada... embora soubesse que só me estavam a tentar animar e que lidar com a minha situação era complicado, não consegui evitar a vontade de desatar aos berros e pedir para que se calassem... Estão a ver, frases como "não te preocupes, que vais ter outro", "não penses muito nisso, afinal não era sequer ainda um bébé", "foi melhor assim" ou "foi um sinal de Deus", não são própriamente aquilo que desejamos ouvir nestas alturas. Eu tinha acabado de estar numa situação em que poderia ter morrido, e tinha perdido o bébé. Tudo o que eu queria era colo, mas as palavras de suposto conforto eram inevitáveis... E assim passei esse tempo, entre brincadeiras e conversas com outras mulheres, também internadas naquela ala, enfermeiros e auxiliares... estarmos perto do Natal parece que tornou tudo ainda mais emotivo, mas aguentei bem o internamento. Achei até que iria ficar bem psicológicamente mais cedo do que imaginava. Mas eu estava fechada num casulo protector, prestes a sair para o mundo exterior... Quando saí naquela 4ª feira, foi com um misto de medo e expectativa... O mundo esperava-me e com ele junto vinham todas as situações e palavras que eu tinha evitado naqueles dias. Agora eu estava com medo...muito medo...
publicado por desejandoumanjo às 16:39
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A manhã seguinte...

11 de Dezembro:

Acordo no hospital, uma enfermeira está a meu lado a verificar a ultima transfusão de sangue que eu iria receber. Pergunto as horas, respondem-me que são 3 da manhã...Penso no que aconteceu, mas estou incapaz de sentir qualquer emoção...Em segundos descobri que estava grávida e que iria perder o bébé, é demasiado agora para eu pensar nisso.

Passo o tempo a adormecer e a acordar.Dizem-me que é normal, que é por causa da anestesia geral. São 12h30 e finalmente vejo o meu companheiro!!! Tem um ar preocupado, não deve ter dormido nada... a culpa é minha... só minha... preocupei toda a gente, penso na minha mãe...ela estava comigo ontem quando vim para as urgências... Deus!!! Ela ouviu o bombeiro dizer-me que que suspeitava que tinha tido um aborto...

Mãe. perdoa-me... eu não queria faze-los sofrer... eu queria que isto fosse uma dor só minha, não suporto pensar no que estão a passar por minha causa... Mãe, pai, perdoem-me... eu só queria ser mãe...

Olho para o João, mais uma vez. Ali está ele, agora com um ar aliviado. Afinal, eu ESTOU viva e bem... Não quer falar da gravidez, não quer falar disso agora... eu concordo.

Mal sabia eu que demoraria tanto tempo para que pudessemos falar finalmente sobre tudo o que aconteceu...
publicado por desejandoumanjo às 15:06
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A espera...e a dor da perda...

E foram passando as horas, os dias, as semanas, sempre á espera daquele sinal que nos traria o nosso anjo...

Passaram-se 4 meses, estamos já quase no final de Novembro. Dois teste negativos, decido ir á minha médica...Análises de sangue, não é nada de preocupante, diz-me ela, afinal eu não me sinto mal, nem tenho sintomas...

Estávamos errados...tão errados...eu estava grávida, sim!E não sabia... (Meu querido anjo, perdoa-me...eu não sabia...)

Passam-se mais uns dias, é sexta feira, vou para o trabalho. São 9h30 e começam as dores lancinantes..."Deve ser do período" penso eu. 11h00... não suporto mais as dores...telefono ao meu pai "Vem-me buscar, que eu não aguento mais!"

Passo o resto do dia em casa, deitada, sonolenta, cheia de frio, com uma sensação de desconforto e com dores no pescoço. O meu companheiro chega a casa perto das 20h00. Beijo-o, tento levantar-me e desmaio: O pesadelo começa verdadeiramente nesse momento.

Telefona-se para o INEM, vêm os bombeiros...suspeitam de aborto expontâneo...vou de urgência para o hospital. Aí volto a desmaiar. Acordo rodeada de médicos e enfermeiros (a eles o meu muito obrigado!). Oiço gritar "Ectópica!" e penso que não é possível, que eu não estou grávida, que não pode ser, comigo não... Infelizmente, é verdade...fui operada de urgência, levei quatro unidades de sangue (a esses dadores anónimos, o meu também muito sentido agradecimento).

O resultado...bem...o lado positivo: eu sobrevivi a algo que é extremamente perigoso: uma gravidez ectópica, ou fora do sítio...o lado cruel e doloroso: o meu bébé morreu, o meu anjo partiu nessa noite, e hoje ainda procuro respostas para o que me aconteceu...

Porquê?
publicado por desejandoumanjo às 13:03
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