Segunda-feira, 12 de Setembro de 2005

Aceitas-me?

gotica2.jpgE hoje vou fazê-lo. Vou enfrentar o problema de frente e aceitar as consequências. É algo adiado por tempo demais. É algo que tem de ser feito. Hoje vou chegar a casa e organizar os pensamentos enquanto te espero. Vou fazer notas mentais de tudo o que quero perguntar-te. Vou preparar-me para responder a todas as tuas questões.Sabes, há nove meses atrás eu despertava de um sono profundo. Despertava para uma realidade completamente diferente. As nossas vidas tinham mudado, e tinha sido para sempre. Demorei tempo a lidar com as minhas emoções. Tentei enganar-me, enganar os outros. E consegui parte do objectivo: ninguém para além de ti me viu chorar e quebrar até ao dia em soubemos da gravidez da tua irmã. E desde esse dia, a minha máscara caiu, desfez-se em mil pedaços. E, sabes uma coisa? Não quero mais reconstruí-la. Lembras-te do que te disse na altura? Disse-te que nunca mais iria permitir que minimizassem a nossa perda. Que a Beatriz, para além de nossa filha, tinha sido a neta, a sobrinha e a prima de alguém. Que ela não foi um sonho, existiu e isso eu não iria permitir que o negassem. Lembras-te? Choraste nessa noite. Choraste comigo o vazio pela primeira vez. Mas desde então, voltaste a fechar o teu mundo. Desde então reconstruíste o muro á volta das tuas emoções. Porquê? Eu já te disse isto, e repito-o agora. Tu não tens de ser um super-homem. Tu não tens de ser forte 24 horas por dia, 365 dias por ano. Aliás, foste tu próprio que me ensinaste isso, que eu podia ser fraca de vez em quando. Pois, eu digo-te agora: tu podes ser fraco, sim. E eu entendo. Eu entendo os teus medos, as tuas dúvidas. Sim, porque há 9 meses atrás tu estavas numa sala de espera numa angústia que nem consigo imaginar. Eu sei que tiveste medo de me perder. Se pensarmos bem, eu sofro porque a nossa bebé partiu, mas tu sofres porque a perdeste e podias ter-me perdido também. Um sofrimento não maior, apenas diferente.Eu sei que não tem sido fácil. Mas esta viagem ao mais fundo dos infernos foi bem mais fácil porque te tenho a meu lado. Pedi-te uma vez para teres paciência comigo, que um dia isto iria passar. Peço-te agora para libertares os teus fantasmas. Eu aguento. Se sobrevivi aos meus terrores, também posso sobreviver aos teus. Deixa-me ajudar-te, como te deixei ajudares-me. Não me feches do lado de fora. Nós temos sonhos em conjunto. Até já escolhemos o nome do próximo filho, as cores do quarto e onde vai ficar o berço. Somos apenas pais que perderam uma filha. Eu sei que dói. Eu sei que magoa o mais fundo do nosso ser. Estou aqui, aceita-me, dá-me a mão e faz esta viagem comigo. Aceitas-me? Amo-te
publicado por desejandoumanjo às 16:34
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1 comentário:
De Ana Santos a 13 de Setembro de 2005 às 00:19
Olá,
É nessas ocasiões que devem se uniar mais, e não afastar cada um para o seu canto a carregar a dor, deve-se partilhar que fica mais leve para os dois.
Beijinhos e que Deus vos ajude a saber suportar essa dor,
Ana e tesourinho


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