Quarta-feira, 4 de Maio de 2005

Hoje fiquei triste...

E finalmente aconteceu. Eu já devia saber que a minha boa disposição não iria durar muito tempo. E hoje finalmente aconteceu: estou triste.



O Dia da Mãe correu bem. Almoçámos com os meus pais. O meu irmão, a minha cunhada e os meus sobrinhos também foram. Foi um dia agradável e feliz. Senti uma energia diferente nesse domingo. Era como se guardasse um segredo precioso que só eu e a minha Beatriz partilhamos. No domingo estivemos mais unidas do que nunca. No domingo, não me senti isolada, senti-me uma mãe.



A semana começou, pois, bem. Mas hoje, tudo mudou. Esteve hoje no meu emprego uma senhora que me pôs assim neste estado de espírito. Estávamos muito bem a conversar quando se começou a falar de ter filhos. E foi aí que o desastre começou. A senhora desata num discurso "anti-filhos" fabuloso. A senhora defende que quem quer, ou já tem, filhos é egoista e irresponsável. Que ela nunca vai ter filhos. Que o mundo está uma desgraça. Que não vai pôr mais um ser humano neste mundo terrível. Que as pessoas são desequilibradas e não podem proporcionar nada aos seus filhos. Etc, etc, etc...



Perante o meu silêncio (sim, porque a única pessoa que lhe respondia era a minha colega), a senhora vira-se então para mim e diz o seguinte: "Você tem filhos, não tem? Nota-se pelo seu silêncio e pela sua expressão que tem filhos." Eu respondi, a custo mantendo a calma (exteriormente, porque por dentro fervia de raiva...) e segurando as lágrimas: "Não, agora não tenho. Infelizmente, perdi a minha bébé em Dezembro." Perante isto, a senhora fica estática e com uma cara de quem quer um buraco para se esconder pergunta: "Estava a tentar? E pensa tentar de novo?" Mais uma vez contive o impulso de a esmurrar e respondi calmamente: "Sim, estávamos a tentar. E, SIM, vamos tentar de novo."



E quando eu pensava que a insensibilidade da senhora tinha um limite, porque notou-se um certo constrangimento ao saber o que me tinha acontecido, ela sai-se com esta: "Olhe, tem de ir ao médico. Se perdeu o bébé, então deve ter problemas de fertilidade." Aqui tive de me segurar toda. Só conseguir dizer entre dentes, visivelmente já de muito mau humor: "Não, o problema não teve nada a ver com isso." E a seguir finalmente a senhora foi embora.



Fui para a minha sala em choque. Tudo bem. Aceito que algumas pessoas não queiram ter filhos. É uma decisão individual e pessoal. Não se quer ter filhos, tudo bem, não há problema. Agora não me venham acusar de irresponsabilidade e egoismo só porque eu desejo um filho. Ok, então o mundo não é perfeito. Mas a vida também não é. Talvez certas pessoas precisem de "despertar" e de pensar um pouco antes de abrir a boca, debitando cá para fora todos os seus sentimentos negativos. Mas acho que disto tudo, algo de positivo saiu: pelo menos esta senhora não vai voltar a ter este tipo de conversa ao pé de mim, e talvez não o volte a fazer ao pé de quem não conhece.
publicado por desejandoumanjo às 21:42
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